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Guia completo do CT-e para transportadores

Guia completo do CT-e (Conhecimento de Transporte Eletrônico): o que é, quem deve emitir, como funciona e relação com RNTRC e CIOT.

Atualizado em 20265 min de leitura

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O Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e) é o documento fiscal que ampara toda operação de transporte de carga no Brasil. Desde a sua instituição, ele substituiu diversos modelos em papel e se tornou peça indispensável para transportadoras, motoristas autônomos e operadores logísticos. Neste guia completo de 2026, você vai entender tudo sobre o CT-e: o que é, quem precisa emitir, como funciona e quais são as penalidades por não estar em conformidade.

📌 Importante:

Desde 2024, a emissão do CT-e é obrigatória em todos os estados brasileiros, inclusive para Transportadores Autônomos de Carga (TAC) que utilizam o CT-e OS.

O que é o CT-e?

O Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e), modelo 57, é um documento fiscal digital emitido e armazenado eletronicamente. Ele registra a prestação de serviço de transporte de cargas entre municípios ou estados, servindo como comprovante fiscal da operação. O CT-e é válido juridicamente pela assinatura digital do emitente e pela autorização de uso concedida pela Secretaria da Fazenda (SEFAZ).

O documento é regulamentado pelo Ajuste SINIEF 09/07 e suas atualizações posteriores. Ele substitui os antigos documentos em papel como o CTRC (Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas), a CTAC (Conhecimento de Transporte Aquaviário de Cargas) e outros modelos específicos de cada modal.

CT-e vs CT-e OS: Qual a diferença?

Existem dois tipos principais de CT-e que você precisa conhecer:

Característica CT-e (modelo 57) CT-e OS (modelo 67)
Quem emiteTransportadoras (ETC)Autônomos (TAC) e Cooperativas (CTC)
FinalidadePrestação de serviço por pessoa jurídicaPrestação por autônomo ou cooperativa
RNTRC necessárioSim (categoria ETC)Sim (categoria TAC ou CTC)
Obrigatório desde2012-2013 (escalonado)2024 (nacionalmente)
TributaçãoICMS normalICMS simplificado

O CT-e OS (Outros Serviços) foi criado para simplificar a vida do transportador autônomo. Antes dele, muitos TACs dependiam de transportadoras parceiras para emitir o documento fiscal, o que gerava custos e burocracia desnecessários.

Quem é obrigado a emitir o CT-e?

A obrigatoriedade de emissão do CT-e abrange todos os prestadores de serviço de transporte de carga interestadual e intermunicipal. Na prática, isso inclui:

  • ETC (Empresa de Transporte de Carga): obrigada a emitir o CT-e modelo 57 para todas as suas operações.
  • TAC (Transportador Autônomo de Carga): obrigado a emitir o CT-e OS modelo 67 desde 2024.
  • CTC (Cooperativa de Transporte de Carga): emite CT-e OS em nome dos cooperados.
  • Transportadores de outros modais: aéreo, aquaviário, ferroviário e dutoviário também emitem CT-e específico.

A única exceção são operações de transporte dentro do mesmo município, que podem ser documentadas por nota fiscal de serviço municipal, dependendo da legislação local.

Informações obrigatórias no CT-e

Para ser válido, o CT-e deve conter uma série de informações obrigatórias. Os principais campos incluem:

  • Dados do emitente: CNPJ ou CPF, inscrição estadual, razão social, endereço completo.
  • Dados do remetente e destinatário: identificação completa de quem envia e quem recebe a carga.
  • Dados do tomador do serviço: quem contratou e vai pagar pelo frete.
  • Informações da carga: descrição, peso bruto, valor da mercadoria, quantidade de volumes.
  • Dados do percurso: município de origem e destino, modal utilizado.
  • Valores: valor total do frete, componentes do valor (pedágio, taxa de gerenciamento, seguro, etc.).
  • Tributos: ICMS, base de cálculo, alíquota aplicada.
  • RNTRC: número do registro na ANTT do transportador.
  • Chave de acesso: código de 44 dígitos que identifica unicamente o documento.

Passo a passo: Como emitir o CT-e

A emissão do CT-e segue um processo eletrônico padronizado. Veja o passo a passo:

  1. Obtenha o Certificado Digital: é necessário um certificado digital A1 ou A3 (e-CNPJ ou e-CPF) emitido por uma autoridade certificadora credenciada pelo ICP-Brasil.
  2. Credenciamento na SEFAZ: solicite o credenciamento como emissor de CT-e na Secretaria da Fazenda do seu estado.
  3. Escolha um software emissor: pode ser um sistema próprio, software de terceiros ou emissor gratuito da SEFAZ.
  4. Preencha os dados: insira todas as informações obrigatórias sobre a prestação de serviço.
  5. Assine digitalmente: o sistema aplica automaticamente a assinatura digital usando seu certificado.
  6. Envie para a SEFAZ: o documento é transmitido eletronicamente e, se estiver correto, recebe a autorização de uso.
  7. Imprima o DACTE: o Documento Auxiliar do CT-e deve acompanhar a carga durante o transporte.

DACTE: O documento auxiliar

O DACTE (Documento Auxiliar do Conhecimento de Transporte Eletrônico) é a representação impressa simplificada do CT-e. Ele não substitui o documento eletrônico, mas serve como comprovante físico para acompanhar a carga durante o transporte. Todo DACTE deve conter a chave de acesso de 44 dígitos e um código de barras para consulta no portal da SEFAZ.

Com a evolução digital, o DACTE pode ser apresentado em formato eletrônico (no celular ou tablet) em diversos estados, eliminando a necessidade de impressão em papel. Consulte as regras do seu estado para verificar se o DACTE digital é aceito.

Cancelamento e correção do CT-e

Erros acontecem, e a legislação prevê mecanismos para correção:

  • Cancelamento: pode ser feito em até 7 dias após a autorização, desde que não tenha ocorrido o início do transporte. Após esse prazo, o cancelamento extemporâneo depende de autorização da SEFAZ.
  • Carta de Correção Eletrônica (CC-e): permite corrigir erros em campos não-fiscais do CT-e já autorizado. Não pode alterar valores, tributos, dados do emitente ou destinatário.
  • CT-e de Substituição: em casos onde a CC-e não é suficiente, é possível emitir um novo CT-e referenciando o anterior como substituído.
  • CT-e de Anulação: utilizado quando há necessidade de anular parcial ou totalmente a operação.

Penalidades por não emitir CT-e

Transportar carga sem o CT-e ou com documento irregular é infração grave. As penalidades incluem:

Infração Penalidade Base legal
Transporte sem CT-eMulta + apreensão da cargaRICMS estadual
CT-e com dados incorretosMulta de 1% do valor da operaçãoArt. 527 RICMS
Sem DACTE durante transporteRetenção do veículoArt. 230 CTB
Falta de RNTRC no CT-eMulta ANTT + impedimento de tráfegoResolução ANTT 5.848

Relação entre CT-e e RNTRC

O CT-e e o RNTRC estão intimamente ligados. Para emitir um CT-e válido, o transportador precisa informar seu número de RNTRC, e este deve estar ativo e regular. A SEFAZ pode rejeitar a emissão do CT-e se o RNTRC informado estiver vencido, suspenso ou cancelado.

Por isso, manter o RNTRC atualizado é fundamental não apenas para evitar multas da ANTT, mas também para garantir que as operações fiscais do dia a dia não sejam prejudicadas. Consulte regularmente a situação do seu RNTRC para evitar surpresas.

🔄 O que muda em 2026?

  • Novo layout 4.0 do CT-e entra em vigor em setembro de 2026 com campos adicionais.
  • Integração automática entre CT-e e MDF-e ganha novos eventos de registro.
  • SEFAZ amplia validação cruzada entre RNTRC e CT-e em tempo real.
  • CT-e OS para TAC passa a ter preenchimento simplificado via aplicativo oficial.

Dicas práticas para emitir CT-e sem erros

  • Mantenha o certificado digital sempre válido e faça backup da chave A1.
  • Confira o CFOP correto para cada tipo de operação (5.353, 6.353, etc.).
  • Valide o RNTRC antes de emitir — use o Consulta RNTRC para verificação rápida.
  • Preencha corretamente os dados de peso e volumes para evitar divergências na fiscalização.
  • Utilize contingência EPEC quando a SEFAZ estiver indisponível para não atrasar viagens.
  • Armazene os XMLs por pelo menos 5 anos, conforme exigência fiscal.

Perguntas Frequentes

Preciso de certificado digital para emitir CT-e?

Sim, o certificado digital (e-CNPJ ou e-CPF) é obrigatório para assinar e transmitir o CT-e à SEFAZ. Sem ele, não é possível emitir o documento.

Motorista autônomo pode emitir CT-e?

Sim, desde 2024 o TAC emite o CT-e OS (modelo 67), que é a versão simplificada do CT-e para autônomos e cooperativas.

Posso emitir CT-e pelo celular?

Existem aplicativos emissores de CT-e para celular, mas a funcionalidade depende do sistema utilizado. O CT-e OS tende a ter mais opções mobile por ser mais simples.

Qual a diferença entre CT-e e NF-e?

A NF-e documenta a venda/circulação de mercadorias, enquanto o CT-e documenta a prestação do serviço de transporte. São documentos complementares: a NF-e é do remetente/vendedor e o CT-e é do transportador.

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